O primeiro trimestre de 2026 fechou com queda de 17% no desmatamento da Amazônia. Os dados são do Imazon. Entre janeiro e março deste ano, a derrubada da floresta amazônica teve uma redução equivalente a 7.000 campos de futebol.
Essa tendência de queda pode ser percebida a partir de agosto do ano passado, início do período do regime de chuvas na Amazônia. De lá para cá, houve uma redução ainda maior na derrubada da floresta: de 36%. Essa foi a menor área destruída desde 2017.
Segundo a pesquisadora do Imazon, Manuela Ataíde, o destaque positivo fica por conta dos territórios indígenas.
"Um ponto positivo foi o cenário visto nas terras indígenas em março de 2026. Esses territórios, eles seguem sendo os que menos desmatam. Em março de 2026, eles foram responsáveis apenas por 1% de todo o desmatamento na Amazônia Legal."
Entre os estados que mais desmataram estão Mato Grosso, Roraima e Pará. Roraima, aliás, foi o único estado a aumentar o desmatamento na comparação com o mesmo período de oito meses. Por lá ficam alguns dos municípios com maior área afetada: Caracaraí e Rorainópolis.
Para Manuela Ataíde, do Imazon, a concentração em territórios específicos reforça a necessidade de ações direcionadas de combate ao desmatamento.
"A derrubada passou de 419 km² de janeiro a março de 2025 para 348 km² no mesmo período deste ano. Chamamos a atenção, no entanto, para o aumento pontual em março de 17%. Isso reforça a importância dos governos seguirem com as ações de fiscalização e punição dos desmatadores ilegais nos próximos meses, para que consigamos seguir com a tendência de queda."
Entre as unidades de conservação, um destaque negativo foi a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu. Sozinha, essa área perdeu o equivalente a mais de 3.000 campos de futebol — ou seja, mais de 95% da área desmatada dentro do município São Félix do Xingu, no Pará, que já é o quinto mais desmatado da Amazônia no período.
Fonte: Radioagência Nacional